Da infância ao mundo adulto: como saber se a vida ainda é minha?
- Cláudia Oliveira
- há 6 horas
- 3 min de leitura
Um trabalho realizado pela manhã constitui parte do trabalho da tarde. Trago essa informação como uma analogia para pensar a formação da mente na infância e sua continuidade na vida adulta. E, ao pensar nesse percurso, chegamos também a uma fase posterior da vida: a velhice, quando podemos nos perguntar sobre aquilo que fizemos com a nossa própria formação mental ao longo dos anos.

A vida de uma criança:
Um dia eu fui criança e você, afirmo, também foi criança.
Um dia configurei a minha fase infantil e você, afirmo também, configurou a sua fase infantil.
Mas, não posso afirmar quando saímos do mundo infantil e entramos no mundo adulto.
Talvez você se veja como eu me vejo em um corpo de adulto.
Talvez você se sinta como eu me sinto em um corpo de adulto.
No entanto, uma passagem está configurada pelo corpo físico. Fato. Contudo, a média de uma régua de 10 cm é 5 cm por precisão matemática. Já a média de uma idade para o corpo estar adulto não podemos determinar com a mesma precisão.
Por que acreditamos conseguir medir as emoções e qualificá-las como infantis, adultas ou próprias da velhice?
A vida que não sei se é minha como adulto
“Para nossa camaradagem”, uso essa expressão para dar significado ao modo como nos apresentamos para nós mesmos. Quero trazer uma imagem metafórica e fazer você acompanhar uma ideia de como, da infância ao mundo adulto, talvez eu não saiba se a vida ainda é minha, para mim. E, da infância ao mundo adulto, talvez você não saiba se a vida ainda é sua, para você.
Imagine que sua mãe seja uma atleta e possua uma medalha olímpica.
Ela, orgulhosa, te conta sobre como foi importante para ela treinar e alcançar o pódio com esse feito. O treino significa para ela um esforço além do comum, se comparado com um atleta que apenas pratica o esporte para fins de descontração e melhoria física.
Veja como você pode ter entendido: o que é treinar?
Você carrega, desde a infância, um significado de treino diferente do de outras crianças, filhas de uma mãe que não é uma atleta olímpica?
A vida que leva treinando na academia, no futebol de final de semana, é sua?
A vida na velhice:
Sua resposta pode não ser a mesma que você gostaria de dar, pois sua consciência pode não perceber uma relação que o inconsciente continua estabelecendo, embora isso não seja uma verdade absoluta.
Na aparência, a consciência não relaciona o ato de treinar com a mãe, enquanto o inconsciente pode estar, sim, relacionando.
Podemos levar essa investigação até o momento em que você, na velhice, apresente um sentir acompanhado de um pensamento, como:
você não se superou muito na vida adulta;
não ensinou um filho a se orgulhar de seu legado;
a hora do fim está chegando e não tenho mais tempo para pronunciar mais um fracasso.
Considerei os exemplos acima de forma destrutiva para o pensamento humano, mas posso considerar efeitos opostos também:
sou agradecido pelos méritos que pude construir com minha família;
esse reconhecimento no meu trabalho me deixa feliz;
minha partida em breve me faz refletir sobre como fui uma pessoa abençoada.
Como você acredita que o ontem reflete na sua mente hoje e como refletirá amanhã?
O que a vida que construímos revela sobre aquilo que fomos aprendendo a considerar como nossa vida?
Eu sou Cláudia Cristina de Oliveira, terapeuta e escritora. Receba meu abraço, não porque considero você meu melhor amigo, mas porque o reconheço como uma pessoa que, como eu, reflete sobre a vida, sem saber com certeza quanto da vida que diariamente observo e experiencio ainda é minha.


Comentários